Abro o caderno antigo da memória
como quem abre a cozinha pela manhã.
Ali, a felicidade não tinha luxo,
pedia apenas ingredientes do dia a dia.
Uma xícara de risos mornos,
colhidos cedo, ainda com cheiro de pão.
Duas colheres de paciência,
brancas como pano estendido ao sol,
símbolo do cuidado que nunca faltou.
Um fio de esperança,
tão fino quanto o leite derramado com zelo,
mas suficiente para unir tudo
sem deixar o fundo queimar.
Sal a gosto de verdade —
porque o amor, quando é puro,
não precisa exagero.
Basta a medida certa de cumplicidade,
aquela que se aprende no silêncio
e se confirma no olhar.
Misturávamos tudo devagar,
com mãos limpas de medo,
inocentes como quem acredita
que a vida pode ser simples
e, ainda assim, profunda.
Levava ao fogo baixo dos dias comuns:
um café compartilhado,
uma tarde qualquer rindo à toa,
o abraço que curava sem perguntar.
E assim, em pequenas doses somadas,
a felicidade ganhava corpo,
crescia leve, sem pressa,
como bolo caseiro que perfuma a casa
e fica na lembrança.
Hoje provo esse passado com ternura
e sei:
foi o amor verdadeiro que sustentou a receita,
foi a esperança que manteve o forno aceso.
Nada complicado.
Apenas afeto, simplicidade
e o otimismo de quem escolheu
ser feliz junto.
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Autor:
Sezar Kosta (
Offline) - Publicado: 19 de janeiro de 2026 16:12
- Comentário do autor sobre o poema: O que realmente sustenta uma história a dois não são os excessos, mas a atenção diária e o cuidado silencioso. A felicidade nasce quando alguém escolhe ficar, mesmo nos dias comuns, transformando rotina em aconchego. Pequenos gestos, repetidos com carinho, criam raízes profundas. No fim, amar é isso: tornar simples momentos algo que permanece.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Sezar Kosta, Edla Marinho

Offline)
Comentários1
É quase um pecado passar tanto tempo sem ler- te, caro poeta Sezar kosta. É tão gratificante ver a vida contada desse modo único, porém tão cheio devida de todos que decidiram caminhar juntos... Encantada com sua receita!
Aceite minha profunda admiração, meu abraço!
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