YES
Ele anda sem pisar,
respira sem ar,
repete gestos que não escolheu
como se fossem naturais.
O mundo passa por ele
em forma de ruído.
Tudo soa urgente,
nada é lido.
Acredita que reage,
mas apenas responde.
Confunde impulso com vontade,
eco com voz.
O campo o atravessa
sem resistência.
Palavras o moldam,
medos o organizam,
expectativas alheias
lhe dão contorno.
Não vê o jogo.
Move as peças
como quem acredita no acaso
e chama de destino
o que nunca questionou.
Carrega certezas emprestadas,
opiniões prontas,
afetos condicionados.
Defende o que não entende,
teme o que não nomeia.
A realidade não se abre:
o envolve.
Ele não opera,
é operado.
E ainda assim,
há um instante raro —
uma falha no ruído,
um silêncio mínimo
onde algo não encaixa.
Nesse intervalo
o Agente Imerso hesita.
E a hesitação,
mesmo breve,
já não é passiva.
Porque onde surge a dúvida,
o campo treme.
E onde o campo treme,
existe, pela primeira vez,
a possibilidade de escolha.
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Autor:
Noétrico (
Offline) - Publicado: 18 de janeiro de 2026 18:48
- Comentário do autor sobre o poema: Pessoas que não se vêem como são, possuem crenças herdadas, conceitos que não são conscientemente seus, vivem ao acaso sem poder de escolher até a ruptura.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
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