Não é apenas carne o que em rubor se oferta,
É um abismo úmido, de linfa e de veludo,
Onde a língua, em busca, astuta e desperta,
Subverte o silêncio e profana o que é mudo.
No embate das bocas, o hálito é brasa,
Um vício de mel que no palato se estende;
Teu beijo é o incêndio que a alma arrasa,
E o ventre, em resposta, em febre se acende.
Mas quando o prazer te percorre a espinha,
E a boca se entrega ao espasmo profundo,
Brota o gemido — nota que me faz vinha
O som mais arcaico e mais belo do mundo.
É um canto gutural, de entrega e de açoite,
Que escapa entre dentes, em sôfrego arfar,
Rasgando o veludo sombrio da noite,
No rito bendito de te ver transbordar.
Bebo esse som como quem bebe a vida,
Na concha dos lábios, em plena ebulição,
Tua boca é a entrada e a única saída,
Para o labirinto da minha perdição.
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Autor:
Versos Discretos (
Offline) - Publicado: 17 de janeiro de 2026 19:25
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 2

Offline)
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