Amor é aquele vício
que prometo largar na segunda-feira —
anoto na agenda, sublinho, faço cara séria.
Mas chega domingo
e eu já estou sorrindo para a parede,
como se ela soubesse o seu nome
e guardasse seus gestos no reboco.
Pergunto-me, com a seriedade
de quem finge controle:
isso é liberdade
ou apenas um desvio bem decorado?
O coração responde com ironia:
“Relaxa, ninguém se encontra
seguindo linha reta.”
Amar me deixa lúcida e confusa
na mesma medida.
É um hospício curioso,
com janelas abertas,
onde a loucura usa perfume leve
e chama a si mesma de esperança.
E o mais estranho — confesso rindo —
é que ninguém quer fugir.
Às vezes penso que a vida
é esse paradoxo mal resolvido:
queremos sentido,
mas escolhemos o abismo
quando ele sorri de volta.
E eu, que tanto analiso,
aceito:
há dúvidas que são casa,
há perguntas que aquecem,
e há amores que não se curam
porque, no fundo,
ninguém quer receber alta
daquilo que finalmente
nos faz sentir vivos.
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Autor:
Bulaxa Kebrada (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 16 de janeiro de 2026 17:54
- Comentário do autor sobre o poema: Amar é caminhar sabendo que o chão pode falhar, mas mesmo assim seguir em frente. É perder o controle com consciência, aceitar a confusão como parte do crescimento e chamar isso de escolha. Há sentimentos que desorganizam, mas também iluminam. E, no fim, é nessa desordem viva que muita gente encontra o seu lugar.
- Categoria: Amor
- Visualizações: 3

Offline)
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