A capa rígida cede ao toque dos dedos ansiosos,
Iniciam-se as preliminares em letras capitulares:
O roçar da polpa digital no relevo da lombada,
Um tremor de papel que antecipa a carne ofertada.
Despoja-se a sobrecapa, esse véu de seda e verniz,
Revelando o linho cru, o segredo que o corpo diz.
Abro-te ao meio, no centro exato do teu mistério,
Onde o aroma de tinta e sândalo é o meu império.
Minha língua percorre a margem, o espaço em branco,
Enquanto teus suspiros se tornam versos de um canto estanque.
Acaricio a textura da página, o fólio que se incendeia,
No ritmo da respiração que o teu ventre tateia.
O ato se consome na métrica de uma estrofe ríspida,
Penetro o enredo, a narrativa viva e multípida.
Sou a pena que escreve em sulcos de fogo e umidade,
Tu és o pergaminho que absorve minha voracidade.
Movimentos de vai-vém, como olhos que varrem a linha,
Numa síncope de fôlego que me faz teu e te faz minha.
As palavras perdem o nexo, tornam-se puro som,
O clímax é uma iluminura, um brilho, um tom.
O gozo explode como um ponto final de ouro,
Derramando a tinta viva sobre o sagrado tesouro;
Um espasmo de semântica, o ápice do entendimento,
Onde o verbo se faz carne e o tempo se faz momento.
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Autor:
Versos Discretos (
Offline) - Publicado: 12 de janeiro de 2026 20:25
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 1

Offline)
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