Lugar Nenhum

Ayalah Verônica Berg

 

Não me arrependo.

Não.

Nem da luz que doei,

nem do veneno que bebi.

Tudo se desfaz em épocas.

 

O desespero alheio

é um copo cheio

que deixo transbordar.

 

Às vezes, a vida

é só um vago

lembrete do que não somos.

 

O que começa e acaba

é do tempo.

O resto é este silêncio,

um êxtase raso,

um sabor no sangue —

é romance com o abismo.

 

Nada importa.

Nada.

Que doce,

esta queda.

 

 

Lugar Nenhum 

  de Ayalah Verônica Berg 

 

Comentários +

Comentários1

  • Oswaldo Jesus Motta

    Denso e vertiginoso… versos que mergulham no abismo com beleza crua, transformando queda em poesia. Abraços poéticos!



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