ALÉM DAS JANELAS

Ozana Anjos Santana

Na torre alta onde o tempo dormia,
uma menina aprendia a sonhar.
Entre tintas, livros e estrelas,
seu coração insistia em voar.

Seu cabelo guardava o sol do mundo,
luz antiga, dom e prisão.
Mas era a coragem, e não a magia,
que acendia sua libertação.

Quando desceu, não foi só da torre:
rompeu medos, mentiras e véus.
Descobriu que o amor não aprisiona
e que a liberdade também cura os céus.

Rapunzel não nasceu princesa,
tornou-se ao escolher quem ser:
uma luz que aprende a caminhar
sem deixar de iluminar.

Ao lado dos que a ensinaram a confiar,
fez do passo incerto um recomeço,
pois crescer é enfrentar o mundo
sem perder a ternura no processo.

Nas lanternas que sobem ao céu,
reconheceu seu nome e sua história:
era filha do amor e da esperança,
herdeira da própria memória.

E assim, de cabelos cortados ou longos,
seguirá sendo luz em qualquer lugar,
pois quem aprende a ser livre
nunca mais volta a se aprisionar.

 

 

 

  • Autor: Ozana Anjos Santana (Offline Offline)
  • Publicado: 8 de janeiro de 2026 12:33
  • Comentário do autor sobre o poema: “Além das Janelas” ressignifica a história de Rapunzel ao enfatizar a liberdade conquistada pela coragem e pela escolha, não pela magia. A torre simboliza limites internos, e o corte dos cabelos representa desapego e amadurecimento. Com linguagem delicada, o texto aborda crescimento, identidade e autonomia, mostrando que a verdadeira luz da personagem nasce do autoconhecimento e da capacidade de se libertar sem perder a ternura.
  • Categoria: Infantil
  • Visualizações: 15
  • Usuários favoritos deste poema: Ozana Anjos Santana, SALVADOR RAMOS DA GAMA
Comentários +

Comentários1

  • SALVADOR RAMOS DA GAMA

    Isso! A torre representa proteção que também limita; o cabelo, um dom que pode aprisionar. A libertação não vem da magia, mas da coragem de escolher quem se é. Ao descer da torre, Rapunzel rompe medos, redefine o amor como algo que não prende e constrói sua identidade e mostra que amadurecer é enfrentar o mundo sem perder a ternura e que quem aprende a ser livre por dentro não volta a se aprisionar.



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