Na torre alta onde o tempo dormia,
uma menina aprendia a sonhar.
Entre tintas, livros e estrelas,
seu coração insistia em voar.
Seu cabelo guardava o sol do mundo,
luz antiga, dom e prisão.
Mas era a coragem, e não a magia,
que acendia sua libertação.
Quando desceu, não foi só da torre:
rompeu medos, mentiras e véus.
Descobriu que o amor não aprisiona
e que a liberdade também cura os céus.
Rapunzel não nasceu princesa,
tornou-se ao escolher quem ser:
uma luz que aprende a caminhar
sem deixar de iluminar.
Ao lado dos que a ensinaram a confiar,
fez do passo incerto um recomeço,
pois crescer é enfrentar o mundo
sem perder a ternura no processo.
Nas lanternas que sobem ao céu,
reconheceu seu nome e sua história:
era filha do amor e da esperança,
herdeira da própria memória.
E assim, de cabelos cortados ou longos,
seguirá sendo luz em qualquer lugar,
pois quem aprende a ser livre
nunca mais volta a se aprisionar.