Vou...
De onde não sei
Para não sei onde.
Vou...
Vou procurar a manhã
Onde o tempo a esconde.
Rebatizar-me na cósmica radiação,
Usurpar-me da irreal condição...
Vou reviver
O homem-coração...
Vou...
Vou embalar-me
Nesta mansidão;
Na ilusão do ser,
Do ter à minha mão
Todas facetas
Deste poliedro;
Do mar essência;
Da madeira cedro;
Das esperanças
Que tarde carrego
- À impotência
Do meu ódio cego! -,
À minha infância
Qual doce me entrego...
Sou...
A ilusão.
A própria... E me exponho
A morrer sempre,
Sempre o mesmo sonho!
A voar morto
Ao futuro estranho;
A cair roto
Sem um só arranho;
A perder corpo
Até não ter tamanho...
Sou...
A panacéia
Para todo bem;
De Cassiopéia
Nebulosas cem
A correr rosa
Como me convém,
A bater prosa
Mesmo com ninguém;
A vida-a morte;
O céu-o mar;
Mal-Bem!
Mas,
Se me revolvo
Em torno de mim mesmo,
Evolve o frio
E me sinto ermo;
Apago o dia
De meu Sol já negro
E à poesia,
Lânguido, me cedo
E, por instantes,
Não conheço medo...
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Autor:
G. Mirabeau (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 8 de janeiro de 2026 11:56
- Comentário do autor sobre o poema: Autorreflexão
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 3

Offline)
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