Falcão

Renato Lima

Certo dia, um falcão voava sobre o céu azul. Suas penas brancas e imaculadas exalavam pureza e cuidado, enquanto ele deslizava livremente pelo ar. Em seu voo, encontrou um cão preso em um cativeiro sujo, sua alma tomada pelo ódio e pela tristeza de sua situação lamentável.  

 

Impulsionado pela compaixão, o falcão desceu rapidamente em direção ao cão. No entanto, ao se aproximar, suas belas penas se sujaram e, ao tentar libertá-lo, uma de suas asas quebrou. O cão, finalmente solto, agarrou o falcão com a boca e correu para longe, afastando-se daquela maldita floresta.  

 

O falcão, que antes dominava o céu com suas asas brancas, agora se via derrotado, sem saber mais como voar. Sua visão distorcida refletia a dor de uma ave que não podia mais lutar, quase sem esperança. Quando caiu ao chão, algo brilhou perto do cão — um objeto que trazia consigo desejos e sonhos, em troca de sacrifícios.  

 

No auge de sua desesperança, o falcão, sujo e com as asas agora manchadas, tomou uma decisão. Suas penas, antes imaculadas, se tornaram negras como as de um morcego. Em um último ato de sacrifício, ele renunciou a sua pureza, em troca da chance de voar novamente.  

 

Com o sacrifício do cão e de toda a vida da floresta, o falcão recuperou sua liberdade. Mas, agora, ele não era mais o mesmo. Voava sozinho, sem o céu azul que o havia guiado um dia. Seu canto, uma melodia triste, ressoava como uma lembrança da floresta perdida, enquanto sua figura solitária cruzava os céus.  

 

"Ouça o bater das asas de um grandioso falcão negro.  

 Para recuperar minhas asas, sacrifico todo o meu bando."

  • Autor: Renato Lima (Offline Offline)
  • Publicado: 7 de janeiro de 2026 08:57
  • Categoria: Não classificado
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