Certo dia, um falcão voava sobre o céu azul. Suas penas brancas e imaculadas exalavam pureza e cuidado, enquanto ele deslizava livremente pelo ar. Em seu voo, encontrou um cão preso em um cativeiro sujo, sua alma tomada pelo ódio e pela tristeza de sua situação lamentável.
Impulsionado pela compaixão, o falcão desceu rapidamente em direção ao cão. No entanto, ao se aproximar, suas belas penas se sujaram e, ao tentar libertá-lo, uma de suas asas quebrou. O cão, finalmente solto, agarrou o falcão com a boca e correu para longe, afastando-se daquela maldita floresta.
O falcão, que antes dominava o céu com suas asas brancas, agora se via derrotado, sem saber mais como voar. Sua visão distorcida refletia a dor de uma ave que não podia mais lutar, quase sem esperança. Quando caiu ao chão, algo brilhou perto do cão — um objeto que trazia consigo desejos e sonhos, em troca de sacrifícios.
No auge de sua desesperança, o falcão, sujo e com as asas agora manchadas, tomou uma decisão. Suas penas, antes imaculadas, se tornaram negras como as de um morcego. Em um último ato de sacrifício, ele renunciou a sua pureza, em troca da chance de voar novamente.
Com o sacrifício do cão e de toda a vida da floresta, o falcão recuperou sua liberdade. Mas, agora, ele não era mais o mesmo. Voava sozinho, sem o céu azul que o havia guiado um dia. Seu canto, uma melodia triste, ressoava como uma lembrança da floresta perdida, enquanto sua figura solitária cruzava os céus.
\"Ouça o bater das asas de um grandioso falcão negro.
Para recuperar minhas asas, sacrifico todo o meu bando.\"