Não será um toque, mas uma invasão consentida,
Onde a respiração se perde no contorno do teu rosto.
Quero buscar em ti a nota mais grave e escondida,
E ver o teu juízo render-se, enfim, ao meu gosto.
Meus dedos subirão pela nuca, em traço lento,
Enquanto os teus lábios, em arco, esperam o açoite.
Um beijo que não pede licença ao tempo,
Mas que inaugura, em nós, a mais profunda noite.
Sentirás o calor que devora a distância,
Uma colisão de línguas, saliva e labareda,
Onde o fôlego se esvai na mais pura inconstância,
E a razão se desfaz como um fio de seda.
Quero o teu suspiro preso no fundo da garganta,
O gemido abafado pelo encaixe da minha boca,
Até que a tua pele, em arrepios, se levanta,
E a sede de mim te deixe, enfim, ébria e louca.
Beijar-te-ei até que o mundo seja apenas esse átimo,
Um vácuo de oxigênio onde o sangue pulsa e queima,
Até que, exausta, me entregues o teu último íntimo,
Na volúpia sagrada de quem já não mais teima.
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Autor:
Versos Discretos (
Offline) - Publicado: 5 de janeiro de 2026 13:54
- Categoria: Amor
- Visualizações: 7

Offline)
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