A Cartografia do Teu Ser

Versos Discretos

 

Conduza-me ao meridiano sul de teus quadris, 
Onde a umidade primordial fustiga a flora de tua carne, 
E as árvores de teu corpo brotam em um florescer de espasmos.
Arraste-me às profundezas dessa terra abissal 
Que impera entre tuas pernas, no vale do desejo, 
Enquanto busco o norte magnético de teus seios erguidos. 
Quero enfrentar o deserto gélido que fustiga tua boca, 
Para enfim naufragar no oásis secreto de teu umbigo.
Guie-me ao ocidente daqueles pés que outrora me pertenceram, 
Às mãos que, em gestos de posse, cercaram mares e cordilheiras. 
Exile-me em pátrias desconhecidas através do primeiro beijo, 
Nessa região vasta e interminável onde tua língua é o caminho 
E o prazer é a única flor que se colhe.
Nesse itinerário genital, nessa via de fogo e entrega, 
Onde o rio de tuas cinzas se espalha sobre minha pele arfante, 
Leva-me, ó deleite, a qualquer recanto de tua anatomia.
Pois onde quer que meus dedos se aventurem sob teu comando, 
Tu serás minha única pátria, e eu, o teu mais devoto habitante.

  • Autor: Versos Discretos (Offline Offline)
  • Publicado: 2 de janeiro de 2026 22:52
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 14
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