Conduza-me ao meridiano sul de teus quadris,
Onde a umidade primordial fustiga a flora de tua carne,
E as árvores de teu corpo brotam em um florescer de espasmos.
Arraste-me às profundezas dessa terra abissal
Que impera entre tuas pernas, no vale do desejo,
Enquanto busco o norte magnético de teus seios erguidos.
Quero enfrentar o deserto gélido que fustiga tua boca,
Para enfim naufragar no oásis secreto de teu umbigo.
Guie-me ao ocidente daqueles pés que outrora me pertenceram,
Às mãos que, em gestos de posse, cercaram mares e cordilheiras.
Exile-me em pátrias desconhecidas através do primeiro beijo,
Nessa região vasta e interminável onde tua língua é o caminho
E o prazer é a única flor que se colhe.
Nesse itinerário genital, nessa via de fogo e entrega,
Onde o rio de tuas cinzas se espalha sobre minha pele arfante,
Leva-me, ó deleite, a qualquer recanto de tua anatomia.
Pois onde quer que meus dedos se aventurem sob teu comando,
Tu serás minha única pátria, e eu, o teu mais devoto habitante.