O tempo,
que um dia foi quente
como o abraço de uma mãe,
aprendeu a ser frio —
uma noite de inverno
sem estrelas para guiar.
Sempre soube:
não existe para sempre.
Mas não imaginei
que o fim chegaria tão cedo,
nem que a solidão
soubesse meu nome
tão rapidamente.
Era o mesmo lugar,
a mesma paisagem,
mas o mundo muda
quando as estações mudam
e as pessoas também.
O que antes era riso
agora pesa no peito,
memória que fere,
sorriso que dói.
Disseram que
o “felizes para sempre” acaba.
Eu ouvi,
mas não acreditei.
O frio tocou meu rosto
como um despertar brusco,
um tapa da realidade.
Acabou.
De verdade.
E só então entendi:
promessas sem ação
são vazias,
e ninguém vence
uma guerra
lutando sozinho por amor.
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Autor:
Raye S. (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 1 de janeiro de 2026 22:11
- Comentário do autor sobre o poema: Eu escrevi isso porque precisei aceitar um fim que não foi escolha só minha. Porque eu amei com intensidade, com verdade, e fiquei sozinha segurando algo que já estava desmoronando. O tempo mudou sem pedir permissão: o que antes me aquecia passou a me machucar, e o lugar onde eu me sentia em casa virou apenas silêncio.\r\nEu sempre soube que nada é eterno, mas saber não me preparou para sentir. As memórias ainda existem, só que agora doem. Elas provam que foi real, mas também me lembram que acabou. O mesmo cenário, as mesmas lembranças — só que eu já não sou a mesma pessoa, e a outra pessoa também não é.\r\nEsse poema é o momento em que eu paro de romantizar a dor. É quando eu entendo que amor não sobrevive só de promessa, que sentimento sem atitude esfria, e que não é justo lutar sozinha por algo que deveria ser construído por duas pessoas.\r\nNo fundo, ele significa amadurecimento com tristeza. Um adeus que não queria dar, mas precisava. É o instante em que eu reconheço que acabou — não por falta de amor, mas por falta de reciprocidade. E isso dói, mas também me devolve a mim mesma.
- Categoria: Triste
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Kira

Offline)
Comentários1
Sua escrita e bem surpreendente, da pra sentir o medo do fim e das memorias que machucam.
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