Raye Sinclair

Estação do Fim

O tempo,

que um dia foi quente

como o abraço de uma mãe,

aprendeu a ser frio —

uma noite de inverno

sem estrelas para guiar.

 

Sempre soube:

não existe para sempre.

Mas não imaginei

que o fim chegaria tão cedo,

nem que a solidão

soubesse meu nome

tão rapidamente.

 

Era o mesmo lugar,

a mesma paisagem,

mas o mundo muda

quando as estações mudam

e as pessoas também.

 

O que antes era riso

agora pesa no peito,

memória que fere,

sorriso que dói.

 

Disseram que

o “felizes para sempre” acaba.

Eu ouvi,

mas não acreditei.

 

O frio tocou meu rosto

como um despertar brusco,

um tapa da realidade.

 

Acabou.

De verdade.

E só então entendi:

promessas sem ação

são vazias,

e ninguém vence

uma guerra

lutando sozinho por amor.