Manual de Instruções para um Ano Indomável

Luana Santahelena

Quando o ano bate à porta,

traz planos como quem carrega mapas novos,

todos dobrados demais para a realidade.

Eu sorrio — sempre acreditei em promessas

mesmo sabendo que elas adoram mudar de ideia.

 

Com o tempo, os dias se rebelam.

Alguns cochicham poesia no café da manhã,

outros tropeçam em mim sem pedir licença.

Descubro que planejar é um gesto de coragem,

e viver, um improviso com senso de humor.

 

No espelho do calendário, vejo histórias surgirem:

umas que me ensinaram, outras que só riram de mim.

E aceito o paradoxo com delicadeza feminina:

o ano não cumpre o que promete —

mas entrega exatamente o que eu precisava.

  • Autor: Bulaxa Kebrada (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de dezembro de 2025 07:51
  • Comentário do autor sobre o poema: Janeiro chega com o caderno em branco e a pressa de quem acredita no amanhã. Traz promessas dobradas no bolso, listas que cabem no sonho. Ao longo dos meses, o tempo escreve por conta própria: risca, corrige, acrescenta silêncio e riso. Há dias que pesam, outros que iluminam, todos deixando marcas. Quando dezembro se despede, o caderno já não é limpo — é vivido. E então entendemos: não foi sobre cumprir planos, mas sobre atravessar o ano e sair dele um pouco mais humano.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 40
  • Usuários favoritos deste poema: Luana Santahelena, Melancolia..., elfrans silva
Comentários +

Comentários1

  • Melancolia...

    Estou amando esses teus manuais.....
    Vamos sobrevivendo em....

    Abraços.;



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