Quando o ano bate à porta,
traz planos como quem carrega mapas novos,
todos dobrados demais para a realidade.
Eu sorrio — sempre acreditei em promessas
mesmo sabendo que elas adoram mudar de ideia.
Com o tempo, os dias se rebelam.
Alguns cochicham poesia no café da manhã,
outros tropeçam em mim sem pedir licença.
Descubro que planejar é um gesto de coragem,
e viver, um improviso com senso de humor.
No espelho do calendário, vejo histórias surgirem:
umas que me ensinaram, outras que só riram de mim.
E aceito o paradoxo com delicadeza feminina:
o ano não cumpre o que promete —
mas entrega exatamente o que eu precisava.