O globo gira

Well Calcagno

 

O globo gira

A cada manhã tu te levantas,

Querendo continuar na cama,

O globo gira desvairado no vácuo,

E tu apenas observas o que está

A tua volta, calado...

Bombas voam carregando bactérias,

Pombagiras do espaço dançam

Sorrindo desesperadamente,

Com seus olhos que queimam

O fogo fátuo da loucura,

E toda a tessitura deixa de ser percebida,

Das canções que pulam das bocas.

 

Mas o globo gira, e gira feito a bola

Abandonada no campinho de terra,

E te calas olhando todas as quimeras

Como se fossem parte da real-idade.

 

Por onde andará a bondade,

Que há muito, falaram-te existir?

Procuras por lá, acolá e aqui

Talvez ache o resquício de sanidade.

 

A cada manhã tu levantas teu corpo nu

Querendo largar tua alma no leito,

E sempre há quem te lembre de Jesus

E todo sofrimento que morou em seu peito,

E gira a bola azul, que carrega em si

Todo esse caos esfomeado,

Que devora tudo que está a sua volta,

Os grãos, as plantas, e a vida

que nada mais são que moedas de troca.

 

Anda por essas ruas sem medo,

Pois tua cruz não é madeira pesada,

É invisível a tua mente

E ninguém sente o açoite da espada,

Carregue-a silente, sem descontentamento

Pois o globo gira e gira, e não vai parar

Por conta dos teus lamentos!

 

18 de agosto de 2013.

  • Autor: Well Calcagno (Offline Offline)
  • Publicado: 13 de dezembro de 2025 07:16
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3


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