O globo gira
A cada manhã tu te levantas,
Querendo continuar na cama,
O globo gira desvairado no vácuo,
E tu apenas observas o que está
A tua volta, calado...
Bombas voam carregando bactérias,
Pombagiras do espaço dançam
Sorrindo desesperadamente,
Com seus olhos que queimam
O fogo fátuo da loucura,
E toda a tessitura deixa de ser percebida,
Das canções que pulam das bocas.
Mas o globo gira, e gira feito a bola
Abandonada no campinho de terra,
E te calas olhando todas as quimeras
Como se fossem parte da real-idade.
Por onde andará a bondade,
Que há muito, falaram-te existir?
Procuras por lá, acolá e aqui
Talvez ache o resquício de sanidade.
A cada manhã tu levantas teu corpo nu
Querendo largar tua alma no leito,
E sempre há quem te lembre de Jesus
E todo sofrimento que morou em seu peito,
E gira a bola azul, que carrega em si
Todo esse caos esfomeado,
Que devora tudo que está a sua volta,
Os grãos, as plantas, e a vida
que nada mais são que moedas de troca.
Anda por essas ruas sem medo,
Pois tua cruz não é madeira pesada,
É invisível a tua mente
E ninguém sente o açoite da espada,
Carregue-a silente, sem descontentamento
Pois o globo gira e gira, e não vai parar
Por conta dos teus lamentos!
18 de agosto de 2013.