Manifestantes tomaram as ruas da cidade, nesta sexta-feira, para protestar contra o corte no orçamento público do amor. Segundo eles, o novo projeto de lei pretende drenar o já escasso afeto coletivo e reduzir ainda mais o rarefeito cuidado.
As entidades responsáveis alegam que a máquina estatal não comporta a demanda de ternura em escala nacional.
Relatórios recentes mostram que o maquinário existente foi enferrujado pela pressa, rangendo de dor constantemente, e que há cada vez menos mão de obra especializada na calibragem de sentimentos.
Os técnicos afirmam que a falta de matéria-prima (conversas longas, silêncios gentis, laços e acasos) diminui drasticamente a vida útil dos produtos afetivos, aumenta a rotatividade do mercado e empurra o mundo para um colapso global no campo econômico-emocional.
Funcionários do setor declamam “falta pessoal capacitado para operações delicadas, como dizer ‘fica’ sem parecer súplica, ou ir sem ferir ninguém”.
O Ministério da Saúde alerta para uma epidemia de covardia.
Entre as pautas de reivindicação, o preço médio do amor é o item mais alarmante. Desde o último reajuste inflacionário, que privatizou o ócio e taxou a vida contemplativa, amar ficou caro demais. Em nota oficial, a defensoria alega que “não há estoque de horas nem de trovas para atender às demandas afetivas per capita”.
Diante disso, a Associação de Amadores e Amantes ameaça uma greve geral dos corações, uma paralisação cardíaca que seria fatal para o mercado e para os próprios manifestantes.
Enquanto isso, especialistas de boteco em raro consenso alertam “mais vale o afeto artesanal”.
O governo repete “não há licenciamento para tal”.
-
Autor:
Victória Bianca (
Offline) - Publicado: 5 de dezembro de 2025 13:54
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Vênus Não Terra

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.