Deponho-te nua sobre o ara da paixão,
Teus seios tombam, em êxtase, aos lados;
Contemplo-a por um breve instante,
Enquanto o rubro filete escorre pelo teu corpo.
Beijo-te como se fosse o último oblato.
Meu desejo atinge o âmago deste transe,
Absorto em teu odor, prossigo como em sonho,
Beijando-a e esquecendo os hierofantes à nossa volta,
Possuindo teu corpo em sua totalidade.
A língua serpeia, qual Uroboros do Éden proibido,
Revelando o arcano do prazer e o jugo nascido deste caminho.
Na movimentação ondulatória do corpo domador,
Compassado, profundo, penetro-te enquanto arqueias as costas,
Exalando um profundo gemido. Torno-me parte de ti, num êxtase deífico.
Teus gemidos fundem-se ao canto dos oficiantes;
Profana liturgia, antífona para a plebe.
Um turbilhão de imagens torna tudo ao meu redor estranho,
Meus olhos vítreos não ofuscam a visão anímica,
E os sentidos inebriados por néctares de flores
E sensações lancinantes de carícias, ferem.
E quando escuto, pasmo, sorveres o sangue aos lábios,
Deliciosamente, a sofreguidão coberta pela névoa
Dos cabelos negros dilacera minhas veias,
E abrem-se as asas da Morte!
Os corvos vociferam o presságio!
A Natureza transforma-se em paisagem acinzentada de subterrâneos mundos,
Empalideço, esmoreço com o rosto descansado em teus seios fartos,
Adormecendo enquanto filetes carmesins ainda escorrem dos lábios na face branca
E lívida de cria angelical, abraçando-me como uma deusa possuída.
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Autor:
Versos Discretos (
Offline) - Publicado: 29 de novembro de 2025 19:00
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 8

Offline)
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