Francy Valente

Paredes

 

Paredes

Paredes em volta, lá dentro, um mundo
É tão profundo!
Esconderijo de alguém
Que oculta suas feridas adormecidas
Paredes largas, profundas, altas
Paredes que o guardam de histórias amargas
Não vendo o dia, não sente dor
E esquece o amor
São tão espessas e o protegem
De um mundo hostil que o persegue
Ou o ignora? A dor aflora!
Seria engano?
O que são elas, a sua sorte ou a breve morte?
Então, um dia, bem de repente,
Alguém, de leve, se achega, sente,
Toca-lhe o rosto e diz seu nome
E então sussurra: ainda é dia!
Seus olhos brilham!
Sem vaidade, quebra as paredes
Seu grito ecoa e seus pés voam
É livre agora! Sua casa: o mundo
E foi-se embora!

Comentários5

  • santidarko

    Parabéns!!a depressão,é algo para se libertar.Mas a solidão na "medida certa", nos inspira.Mas, um amor,é sim,necessário!!

  • Cecilia Merces Vaz Leandro

    Parabéns! Lindo poema!

  • Hébron

    Bonito e interessante poema, que traz em seus versos a introspeção de um ser reprimido que se liberta dessas amarras através de uma atenção de alguém de de repente se achega, toca... Leva-nos a uma reflexão sobre a importância de um olhar, uma atenção que pode transformar a vida de alguém...
    Belo recado para esse 'setembro amarelo'...
    Obrigado, poetisa!

    • Francy Valente

      Grata, Hébron! Me sinto tão pequena nesta imensidão de poetas maduros, mas não posso deixar de expressar minha visão de mundo em versos! Seu comentário me motiva! Quero crescer neste espaço tão acolhedor!

      • Hébron

        Aqui somos todos poetas, do tamanho da nossa inspiração... Sua poesia é importante tanto quanto a dos demais poetas!
        Este espaço é um ótimo canal de expressão.
        Abraço

      • 1 comentário mais

      • Nelson de Medeiros

        Boa noite poeta.
        Concordo com a interpretação dada pelo poeta Hébron. Teu poema tem intensidade e ficção ou não, descortina uma vida de solidão ou depressão.

        1 ab

        • Francy Valente

          Incrível, caro Nelson, como algumas verdades vem à tona muito tempo depois da arte preencher o papel. Escrevermos às vezes como que em códigos indecifráveis para nós mesmos, até que chega o dia do descortinar! Abraço, seus comentários são um presente!

        • Nogueira_greg

          Encheu-me os olhos, parabéns pela poesia



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