Pássaros Versos

G. Mirabeau

Sonhos, palavras,

Logo um sentido:

Faz-se poesia

Na alma do ouvido!

 

Aço que corta,

Morte no peito;

Um mal, uma porta,

Vida a seu jeito...

 

Sangue na boca.

Fogo nas veias.

É muito!... É pouca!...

É uma candeia...

 

Brasa é o corpo

Do corpo cheio

No corpo morto,

No corpo meio,

 

No traço morto

Se eu incendeio

O velho porto

Do mar já cheio...

 

Um som, uma aurora,

Logo uma cor:

Faz-se poesia

Da alma da flor!

 

O orvalho nas folhas

Desliza macio.

Leve se escoa,

Sonha com o rio!

 

 

Uma rua. O cascalho.

Os pássaros mortos.

O sentido que valho,

O amor que devoto.

 

Vôo é o traço

Além da amargura,

Indistinto no espaço

Indistinto procura

 

Aos pássaros versos

De agonia e loucura,

Estranhos, perplexos,

Sem Deus e sem cura!...

  • Autor: G. Mirabeau (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 25 de novembro de 2025 13:54
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 14
  • Usuários favoritos deste poema: Arthur Santos
Comentários +

Comentários1

  • Arthur Santos

    A estrutura do poema é notável.



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.