Sonhos, palavras,
Logo um sentido:
Faz-se poesia
Na alma do ouvido!
Aço que corta,
Morte no peito;
Um mal, uma porta,
Vida a seu jeito...
Sangue na boca.
Fogo nas veias.
É muito!... É pouca!...
É uma candeia...
Brasa é o corpo
Do corpo cheio
No corpo morto,
No corpo meio,
No traço morto
Se eu incendeio
O velho porto
Do mar já cheio...
Um som, uma aurora,
Logo uma cor:
Faz-se poesia
Da alma da flor!
O orvalho nas folhas
Desliza macio.
Leve se escoa,
Sonha com o rio!
Uma rua. O cascalho.
Os pássaros mortos.
O sentido que valho,
O amor que devoto.
Vôo é o traço
Além da amargura,
Indistinto no espaço
Indistinto procura
Aos pássaros versos
De agonia e loucura,
Estranhos, perplexos,
Sem Deus e sem cura!...