A pior dor que existe
não nasce no corpo,
nem some com remédios:
é a dor que fica
quando alguém parte
numa viagem sem retorno.
Há feridas na pele
que o tempo apaga.
Há dores que o choro alivia.
Mas a saudade —
essa não cicatriza.
Ela repousa na gente
como um peso invisível,
um fio puxando a alma
para um lugar que já não existe.
Seria mais fácil
se as lembranças aquecessem.
Se o passado fosse abrigo,
não lâmina.
Mas cada recordação
abre de novo
o espaço que a ausência deixou.
E seguimos.
Passos lentos,
dias que parecem longos demais,
uma vontade pequena
de continuar vivendo
quando o coração insiste
em olhar para trás.
A dor da saudade
é o desgosto mais profundo:
não grita,
não fere por fora,
mas trabalha em silêncio,
como noite que não amanhece.
Porque a pior dor do mundo
não é a que rasga —
é a que permanece.
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Autor:
Sezar Kosta (
Offline) - Publicado: 20 de novembro de 2025 19:49
- Comentário do autor sobre o poema: A ausência de quem amamos cria um espaço que o tempo não consegue preencher, e é nesse espaço que a saudade aprende a morar. Ela não faz barulho, mas altera o ritmo dos dias e a forma como olhamos para o passado. Mesmo invisível, pesa como uma sombra que insiste em nos acompanhar, lembrando que certos amores continuam existindo, mesmo quando não podemos tocá-los.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 19
- Usuários favoritos deste poema: Sezar Kosta, elfrans silva, emille alves, Luana Santahelena

Offline)
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