Há momentos em que não creio mais em nada.
Não porque a vida tenha mudado,
mas porque eu mesmo me desfiz diante dela.
A cada dia, algo morre em mim e algo nasce —
não por esperança, mas por insistência.
A existência continua, indiferente,
como se a agonia fosse apenas mais um hábito da matéria.
Calo-me.
Não por medo, mas porque aprendi que as palavras, quando ditas,
não se espalham para acolher — se espalham para ferir.
O mundo escuta apenas para julgar.
E o silêncio se torna o último refúgio do que ainda resta de mim.
Falo, às vezes, e sou golpeado.
Não com mãos, mas com a frieza de quem nunca tenta entender.
Quando poderiam usar a linguagem para levantar alguém,
preferem usá-la para lembrar que estamos sozinhos.
E tudo se resume a isso:
carregamos o peso de existir diante de pessoas
que aprenderam a ver o outro como ruído.
Esperamos empatia, mas encontramos indiferença.
Ainda assim, continuo.
Não por fé, nem por consolo —
mas porque, de algum modo estranho,
resistir ao próprio vazio também é viver.
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Autor:
Thomas Vasconcellos Ivanov (
Offline) - Publicado: 20 de novembro de 2025 17:24
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 9
- Usuários favoritos deste poema: Ester Mendes

Offline)
Comentários1
'resistir ao próprio vazio também é viver."..
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