Poema dos Registros e da Liberdade

Francisco Claudio Claudio Gia

Poema dos Registros e da Liberdade

Claudio Gia
Macau RN,18/11/2025

Nas páginas frias do tabelionato, um registro se desenha,
Letras firmes que narram promessas,patrimônios e heranças.
O notário,guardião da forma, testemunha silenciosa da vida,
Onde cada firma carrega o peso de uma história decidida.
É o Dia do Notário e do Registrador,a celebração da lei escrita,
O alicerce de uma sociedade que em documentos se contrita.

Mas há outros registros, mais profundos e doloridos,
Marcados não em tinta,mas em séculos de gritos sufocados.
É o Dia de Combate ao Racismo,um grito no presente,
Contra a chaga que insiste em manchar a alma da gente.
É a luta por um mundo onde a cor da pele não seja sentença,
Onde o olhar do outro não seja uma jaula ou uma ofensa.

E no calendário da memória, uma data fundamental,
Ecoa o nome de Zumbi,um rei, um mito, um ideal.
Embora novembro guarde o vinte como o dia consagrado,
O dezoito é vizinho da morte que fez seu povo ser imortalizado.
Zumbi dos Palmares,a semente de uma consciência negra,
Cuja luta por liberdade jamais será integra.

Em Conde, no Paraná, o céu celebra uma emancipação,
Uma cidade que escreveu sua própria declaração.
Cada aniversário é um verso no poema de sua gente,
Um capítulo novo,independente e florescente.
É a prova viva de que a história é feita de rupturas,
De conquistas locais e de futuras aberturas.

O notário registra o agora, o contrato, o bem adquirido,
Zumbi sonhou com umamanhã que fosse compartilhado.
De um lado,a certeza do papel, a segurança do direito,
Do outro,a chama da rebeldia, o mais puro respeito.
Dois universos que,no fundo, buscam a mesma justiça,
Um na letra da lei,outro na coragem que não capitula.

O racismo é o avesso do registro, é a página rasgada,
É a história negada,a voz calada, a vida truncada.
Combater é preciso,todos os dias, com unhas e dentes,
Desfazer preconceitos,construir pontes, não muros ardentes.
É honrar a luta de Zumbi,que não foi em vão,
E plantar,no hoje, a semente de uma nova nação.

O registrador cataloga nascimentos, dá nome à existência,
A Consciência Negra resgata identidades,dá voz à resistência.
São dois tipos de memória,duas formas de não esquecer:
Uma,no livro oficial; outra, no sangue a correr.
Ambas essenciais para que um povo se reconheça inteiro,
No passado de glória e no futuro,um caminho verdadeiro.

Que o documento do notário um dia registre apenas igualdades,
Que os registros de ódio virem pó,virem páginas viradas.
Que a data de Zumbi não seja só luto,mas celebração viva,
De uma cultura que é forte,bela, criativa e altiva.
Que o grito de“Dendê!” ecoe mais alto que o silêncio opressor,
E que a liberdade seja,por fim, o único valor.

E assim, no dia dezoito, entrelaçam-se as narrativas,
A do cartório pacífico e a das quilombolas ofensivas.
A da cidade que nasceu para si e a do herói que morreu por todos,
Contra os grilhões,os senhores, os algozes, os modelos.
É um dia de reflexão sobre o que registramos no mundo:
Se a perpetuação do jugo ou um canto livre e profundo.

Portanto, celebremos o notário em sua função precisa,
E lutemos,com Zumbi, por uma sociedade mais justa e feliz.
Que o combate ao racismo seja um registro diário em nossos atos,
Um dever cívico,um dos humanos mais básicos pactos.
Para que as gerações futuras,ao lerem nossa história,
Vejam que soubemos lutar por mais do que uma vitória.

  • Autor: Claudio Gia (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 18 de novembro de 2025 13:13
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3


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