Eu, espelho de Sidarta

Metamorfose

Eu, que tanto quis decifrar o livro do mundo,

esqueci que a primeira página era a minha.

Passei pelos dias como quem passa por espelhos apagados,

desprezando sinais, ignorando alertas,

achando meus olhos pequenos

e minha própria voz sem valor.

 

Mas o tempo, sábio e silencioso

sussurrou que ninguém encontra o caminho

enquanto foge de si.

 

Então despertei.

E ao me ver, pela primeira vez,

percebi a desconhecida que eu era,

a estranha que habitava meu peito,

a ausência que eu mesmo me dei.

 

Agora caminho de volta,

folheando devagar a minha essência,

reconhecendo cada palavra que um dia temi.

E descubro, enfim,

que o livro que sempre busquei

começa no instante

em que deixo de fugir de mim.

  • Autor: Metamorfose (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 17 de novembro de 2025 21:48
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 9
  • Usuários favoritos deste poema: Ester Mendes
Comentários +

Comentários1

  • Ester Mendes

    Que Poesia necessária, Linda e Real!



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