Não há língua

Lola_a_Paloma

Na minha boca, não há língua

Que me permita saborear o risoto caprese

Enrolando-o num lençol, prendendo-o num mata-leão

Eu balbucio quando falo

Saliva esguicha pelas glândulas

Sou um monge moderno

Cortaram a minha língua

As comidas estão sempre à mostra

Até os peixes comem o arroz que atiram nos lagos

Eu olho e como pelos olhos

Existe vazio maior

Que o anseio por ser devorado?

Comentários +

Comentários1

  • Arthur Santos

    Poema interessante que classifico de surrealista.
    Muito bom!



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