Ouvi de um versista... desses que sucateiam até as pálpebras... Sem deixar nenhum rastro.
Que ao registrar seu canto, dele se desmemória..
E que hoje, nem precisa mais de tinta, apaga e reescreve a cicatriz de primeira.
E o instante, outrora cáustico, na pátina daquele mesmo verso se desfaz e refaz.
E confessa, sem pudor algum, que adultera o seu próprio vivido,
insere névoa onde houve apenas bruma,
troca o gosto amargo da despedida
pelo sabor de uma fruta jamais colhida.
E eu até que pondero, aqui e lá.. [Que espécie de alquimista é este]
que no frio do quarto, se abraça com o calor do que ele mesmo forjou?
Que assina pactos com o destino
e se embriaga do vapor da lareira que acendeu com folhas secas?
E o mesmo, não registra a ferida, e sim o bordado
que a oculta um arabesco de "e se" e "quase".
Suas vivências, passadas pela prova do sonho,
nem tanto mentiras, nem tanto verdades...
Mas são outras vidas, paralelas, que um dos pulmões não respiram os mesmos cenário...
É um funâmbulo sobre ressentimento,
equilibrando-se com a vara dourada da imaginação e sua cara pintada de palhaço.
E aquele ficar, já não é mais a memória do golpe,
nem o brilho do acontecimento real daquele caso,
caiu como o equilibrista, e com o tempo o mesmo, caiu na armadilha das suas misturas e realidade dos fatos.
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Autor:
Anna Gonçalves (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 15 de outubro de 2025 00:47
- Categoria: Conto
- Visualizações: 13

Offline)
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