Nem toda morte é feita de fim

Minha Caixa de Pandora

Morri em vida, num dia comum.
Ninguém pareceu notar.
Não houve velório, nem flores…
Apenas olhos inchados e um coração enterrado em silêncio.

O silêncio. Ele gritava por dentro.
E foi entre uma respiração e outra,
que meu coração se calou,
mesmo continuando a bater.

Morri com os olhos abertos,
sentada,
sorrindo por fora,
enquanto por dentro eu apodrecia.

Enterrei meus gritos na garganta,
disfarcei as cicatrizes com frases bonitas
e continuei —
porque morrer em vida
não choca ninguém.

Desde então,
eu caminho entre os vivos,
com a morte morando quieta em mim —
como quem já desistiu de ser notada.

  • Autor: Medusa (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 12 de agosto de 2025 15:26
  • Comentário do autor sobre o poema: Nem toda morte é feita de fim. Algumas continuam, disfarçadas de rotina. Essa poesia não fala sobre partir, mas sobre permanecer — mesmo quando tudo dentro já se foi. É sobre o silêncio que grita, o sorriso que esconde, e a dor que ninguém vê. Leia com o coração aberto. Porque às vezes, o que parece vivo... já morreu faz tempo.
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 25
  • Usuários favoritos deste poema: Érica Professora
Comentários +

Comentários2

  • Érica Professora

    Uai! Muito tocante. Deu pra sentir o sentimento. Amei!!

    • Minha Caixa de Pandora

      Fico profundamente grata!
      É raro encontrar quem leia não só com os olhos, mas com o coração aberto.

    • Rosangela Rodrigues de Oliveira

      Sempre digo que "não se mata um morto", realmente há situações que a vida nos obriga passar que vai nos matando aos poucos é preciso ser como a Fênix renascer das cinzas. Parabéns pelo poema poetisa.



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