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Poesia Abandonada

Nas águas profundas onde o tempo não tem pressa,

encontrei o Teu manto, Rainha do Mar.

A vida corre como areia que se dispersa,

mas em Teu colo, Iemanjá, aprendi a saudar.

Agradeço os anos, os dias, a jornada,

o fôlego que me deste e o chão sob os pés.

Por cada maré cheia e cada madrugada,

pela força viva de ser quem Tu queres que eu és.

Como prova de afeto e de minha devoção,

deixei nas Tuas ondas um presente incomum:

um relógio que marca as horas da amplidão,

para que o tempo dos homens não seja nenhum.

Entreguei os ponteiros ao Teu balanço sagrado,

pois diante do Teu reino o tempo se cala.

Que o tique-taque agora seja o mar agitado,

e que a Tua paz seja a minha eterna morada.

Obrigado, Odoyá, pela vida recebida,

o meu tempo agora pertence à Tua imensidão.



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