Mãe

CORASSIS



Ela não admite
que o seu limite chegou
pois pudera:
Mulher maravilha
Maria bonita, mas
passa por alguma dor!
Ela não percebe
que o tempo desacelera
mas reverbera o amor.
Não vai para as escritas
pois apenas tem o conhecimento
que a sua mãe deixou.
Ela toma sol
horas a fio,
para disfarçar a melancolia
junto ao muro das lamentações 
da casa onde mora, dá vista para a rua
fala com transeuntes e vizinhos
pensa na vida e nos mortos
em indivíduos incríveis 
também nos ausentes de solidariedade necessária.
Dona Maria conservou sua pequena praça 
por toda vida, esqueceu que
O mundo tem outras memoráveis  
que deixamos de visitar.
O sol é o melhor remédio aos descamisados, 
com excesso de inverno!
Às vezes desconfio que minha mãe 
sempre andou devagar!
Já tomou chuva sem guarda-chuvas 
viu muito trem lotado passar.
Minha mãe octogenária,
só não perdeu a fé.
Pergunta se o feijão está no fogo,
delirando no hospital, o seu mundo
atual sem abandonos.

  • Autor: CORASSIS (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 30 de março de 2025 15:38
  • Comentário do autor sobre o poema: Imagem de OpenClipart-Vectors por Pixabay
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 12
  • Usuários favoritos deste poema: Maria Ventania
Comentários +

Comentários3

  • Maria Ventania

    Está lindo, intenso e ao mesmo tempo triste. A figura materna se destaca na poesia em momento crucial na vida do poeta. Nossas mães muito amadas trazem em si toda a poesia de nossas vidas!!! Beijos ao mestre.

    • CORASSIS

      Gratidão querida
      beijo.

    • Vcjp

      Muito bom!!

      • CORASSIS

        Gratidão por comentar!
        Abraço.

      • Maria dorta

        Poema lindo! Uma elegia a tua mamãe! Aplausos!

        • CORASSIS

          Gratidão, querida Dorta!
          Pelo comentário.
          Abraço.



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