YES
A garganta seca, áspera como lixa, carrega o gosto amargo das cinzas. Escrevo porque a voz virou um eco distante, engolida pelo tempo, esmagada pelo silêncio. A garganta seca, áspera como lixa, carrega o gosto amargo das cinzas de um incêndio que me consumiu por dentro, diminuindo a alma a carvão e poeira.
O perdão é para os outros, para os que tropeçam na borda sem enxergar o abismo. Mas eu vi. Eu vi e caminhei até ele com passos firmes, ouvindo o vento assobiar promessas vazias. A carne esquece o arrepio, os psicológicos marcam um tempo morto, um relógio sem ponteiros preso a um instante sem nome.
A escuridão não me assusta mais. Ela se aconchega em mim, como um velho amigo, uma sugestão no fundo da mente que nunca se cala. Mentiras de quem nunca soube o que é se perder. Algumas portas, quando fecham, não voltam a abrir. Algumas estradas não levam a lugar algum, a não ser ao vazio onde os passos não deixam marcas.
Se há alguém que ainda ouve, se há alguém que se importa, saiba que a escuridão não me veio buscar. Eu a abracei primeiro. E, em seus braços frios, talvez, enfim, eu descanse.
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Autor:
LR (Pseudónimo (
Offline)
- Publicado: 28 de março de 2025 19:27
- Comentário do autor sobre o poema: Esse poema sou eu em muitos momentos. É o gosto amargo do tempo passando, das palavras que já não encontro, da voz que virou eco dentro de mim. Escrevo porque, de alguma forma, ainda preciso dar forma ao silêncio.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 5
- Usuários favoritos deste poema: Coração Poente
Comentários1
Tão íntimo e belo, sentimento...
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