Não pertencimento

Ludmilla Fernandes

Sou um nome que ninguém chama,
Um coração que ninguém ama. 
Uma voz que começa e nunca termina,
Cortada, engolida, esquecida.

Sou a sombra na casa cheia,
O corpo presente, a alma estrangeira.

Caminho entre móveis que não me pertencem.
Vejo pegadas em meu espaço.
Mãos que tomam sem pedir,
Fazem minha existência sumir.

E quando a noite me pergunta quem sou,
Fico em silêncio.
Talvez nem a escuridão queira saber.

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