Sou um nome que ninguém chama,
Um coração que ninguém ama.
Uma voz que começa e nunca termina,
Cortada, engolida, esquecida.
Sou a sombra na casa cheia,
O corpo presente, a alma estrangeira.
Caminho entre móveis que não me pertencem.
Vejo pegadas em meu espaço.
Mãos que tomam sem pedir,
Fazem minha existência sumir.
E quando a noite me pergunta quem sou,
Fico em silêncio.
Talvez nem a escuridão queira saber.