Quantos pais existem por nome,
Mas que somem sem deixar calor, valor, amor?
Filhos crescem sem ter colo,
Aprendendo a lidar com a dor.
Filhos crescem sem abraços,
Sem histórias pra contar,
Com memórias de ausências
Que ninguém pode apagar.
O meu, chegava e partia, brisa inquieta,
Montava bicicletas, desmontava promessas.
Soprava ao vento palavras vazias,
E eu, sem querer, guardava agonias.
Ele gritava, se zangava, deixava sua herança:
Um coração preso, cheio de desconfiança.
Me lembro dos "nãos" que calei,
Das mãos vazias que recuei,
Do dia que dois reais valeram cem,
E das promessas que nunca cumpriu também.
Do dia que eu quis um presente,
Mas o ano novo era mais urgente.
Fui esquecida, tão pequena,
Odiei o Réveillon sem pena.
Cresci contando frustrações,
Somando vazios no peito,
Aprendendo que amor, pra alguns,
É o que sobra depois do desprezo.
Então ele voltou, tarde demais,
com histórias de um novo coração.
Mas as feridas cicatrizaram tortas,
E as palavras não mudaram a solidão.
Ele vai longe pra ver quem escolheu,
Mas nunca teve olhos pra me enxergar.
E quando reclamo do tempo perdido,
Sou eu quem não sei amar.
Quando me canso de ser humilhada,
Fico em casa, quietinha, sem abrir o portão.
Ele só vem me procurar
Pra dizer que eu não tenho Deus no coração…
Mas se eu ligar, pedindo um favor,
Ele inventa desculpas, e finge dor.
Atenção ele tem, mas não para mim.
Para mim, só resta o eterno "não" sem fim.
E o mundo ainda diz que eu sou a errada,
Que eu me afastei, fui mal-educada.
Mas como amar quem nunca ficou?
Como sentir quem nunca me olhou?
Mas sigo em frente, de pé, sem fraquejar,
Pois sem colo, sem guias, aprendi a andar.
Se o amor dele sempre foi ausente,
o meu, por mim mesma, será suficiente.
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Autor:
Ludmilla Fernandes (
Offline)
- Publicado: 26 de fevereiro de 2025 19:23
- Comentário do autor sobre o poema: Este poema tem mensagens específicas, como por exemplo o dia que ele me deu uma nota de R$2,00 falando que era R$100,00 (eu era criança e como ele nunca pagou pensão na vida inteira, acreditei). Quando antes de casar, ele aparecia para montar as bicicletas que eu desmontava.. O quanto ele se importa em ir longe (EUA) visitar enteadas e "netos" mas se nega a me socorrer quando meu carro quebra, mesmo morando no bairro ao lado do meu. Enfim.. Desabafos pessoais, de uma pessoa real. Só eu sei que o eu vivi/vivo. Tentei ser o mais gentil possível.
- Categoria: Não classificado
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Comentários1
Às vezes precisamos focar em quem realmente está ao nosso lado, em quem se importa, em quem sempre vai estar conosco e ignorar pessoas que não nos dão o valor que merecemos.
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