Sua jaqueta escura é tão surrada,
mas ainda é menos do que a surra que sinto,
tão amargamente,
diariamente,
quando meus olhos não encontram consigo.
Se soubesses que quando passas
até o folêgo me tiras,
juro-te, mesmo que por pena fosse,
tu por mim
ainda cruzarias.
Se assim fizer, mírame
se puder, mas apenas se for de boa fé,
só se então seu coração quiser,
para que eu saiba assim, que a mim
também quer.
E se for verdade,
se não for nenhuma maldade,
a brincar com a ilusão,
da minha própria invenção,
olhai-me, então, à vontade.
Mas se por acaso,
se não for do teu agrado,
fazer deste meu caso
um caso agravado,
deixai-o, ao menos, permanecer inventado.
-
Autor:
Carolina Gouveia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 25 de fevereiro de 2025 09:33
- Comentário do autor sobre o poema: Poema escrito em 2024, aos 22 anos de idade, em Lisboa, Portugal.\r\nTive um \\\"crush\\\" platônico na faculdade, o rapaz é venezuelano, daí a ideia do estrangeirismo espanhol criando a ambiguidade entre \\\"mirame\\\" (olha-me, em espanhol), mas a ideia de mirar, como flecha, em português.\r\nEu nunca contei a ele que tinha interesse.
- Categoria: Amor
- Visualizações: 10

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.