Renascer no Perdão

Metamorfose

Por tempos culpei, no silêncio guardado,

O peso da dor que me foi legado.

Na figura materna, busquei a razão,

Por que o amor, às vezes, fere o coração?

 

Era fácil apontar, tão claro, tão rente,

A culpa dela parecia evidente.

Mas agora enxergo, em reflexo sereno,

Que ela, como eu, é parte do enredo terreno.

 

Recebeu da vida tão pouco a oferecer,

Fez o que pôde, sem muito saber.

E eu, na minha dor, não via o sentido,

Que somos espelhos, fragmentos feridos.

 

Sei que os danos não somem, não se desfazem,

Mas o olhar muda e as feridas se apaziguam.

Pois perdoar a ela é também me salvar,

É abrir espaço para a alma respirar.

 

Então deixo que o tempo me ensine a cura,

Na força do perdão, a luz se mistura.

E assim, como o rio que ao mar vai ceder,

Perdoo a mim mesma, para enfim renascer.

 

Comentários +

Comentários1

  • Marcelo Eduardo de Oliveira

    Li duas vezes. A mensagem: extremamente profunda, necessária. Entendo e TB fiz essa travessia. Não podemos exigir tanto de quem muitas vezes pouco teve. E sim! Somos a continuidade desse enredo! E li também a beleza da sua poesia. O cuidado na escolha das palavras e rimas.Transmutar a dor em beleza! Parabéns!

    • Metamorfose

      Fico imensamente grata pelas suas palavras e por sentir essa conexão tão sincera com o que escrevi. É exatamente isso: somos a continuidade de histórias e vivências que carregam profundidade, superação e, muitas vezes, transformações sinalizadas. Transmutar a dor em Beleza é um desafio, mas também um privilégio que nos aproxima da essência da vida. Obrigada por ler com tanto cuidado e por consideração a poesia que há sua mensagem.



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