Metamorfose

Renascer no Perdão

Por tempos culpei, no silêncio guardado,

O peso da dor que me foi legado.

Na figura materna, busquei a razão,

Por que o amor, às vezes, fere o coração?

 

Era fácil apontar, tão claro, tão rente,

A culpa dela parecia evidente.

Mas agora enxergo, em reflexo sereno,

Que ela, como eu, é parte do enredo terreno.

 

Recebeu da vida tão pouco a oferecer,

Fez o que pôde, sem muito saber.

E eu, na minha dor, não via o sentido,

Que somos espelhos, fragmentos feridos.

 

Sei que os danos não somem, não se desfazem,

Mas o olhar muda e as feridas se apaziguam.

Pois perdoar a ela é também me salvar,

É abrir espaço para a alma respirar.

 

Então deixo que o tempo me ensine a cura,

Na força do perdão, a luz se mistura.

E assim, como o rio que ao mar vai ceder,

Perdoo a mim mesma, para enfim renascer.