Olho ao horizonte e vejo Rá em sua barca!
Nasceu o Sol que o meu coração eleva,
Nasceu a luz que mata as trevas;
É Deus-Sol, Aquele que sustenta a terra.
Ísis, deusa fértil e cósmica,
Viu seu marido sofrer
Às mãos de Set, seu irmão traidor!
Esse Tifão que faz o Nilo arder.
Osíris foi cortado em pedaços por Set;
Seus braços e pernas pelo mundo espalhou.
Ísis chorou sete noites e dias;
No oitavo, suas asas levantou.
Voa, rainha amada!
Busca o corpo despedaçado do Eterno!
Ísis é mãe do mundo,
Seu amor por Osíris é terno.
Graciosa, que reuniste o corpo,
Olha e vê o que falta no teu amado:
"Falta o seu falo fértil!"
Sem ele, Set não será castigado!
Rainha dos céus,
Toma para ti este ouro sagrado
E forma um falo que seja firme e fértil;
Assim, vosso amor será consumado.
A Rainha da Sabedoria
No corpo de Osíris colocou o falo dourado;
E, em delírio e paixão, consumou o ato,
Não por prazer, mas por fado.
Ísis carregou a semente de Osíris
Durante nove meses em seu sagrado ventre.
É a salvação do Alto e Baixo Egito,
Será rei, ontem, hoje e sempre.
Como era bom o pequeno Hórus,
Doce criança de coração curioso.
Todos amavam o menino-rei,
Filho de Osíris, o saudoso.
Quando homem se tornou,
Era caçador lendário e guerreiro destemido!
Suas flechas rompiam as nuvens do céu,
E sua espada vingava o oprimido!
Hórus, o poderoso, ao encontro de Set foi.
"Usurpador de tronos, não mereces viver!"
Quarenta dias e quarenta noites batalharam;
Set caiu ao chão derrotado, prestes a morrer.
Mas Set era matreiro;
Curvou-se aos pés de Hórus, o Encoberto, e gritou:
"Sobrinho, poupa este desgraçado!"
Hórus teve misericórdia e o poupou.
Set, sedento de sangue,
Atacou o sobrinho à traição!
Seu olho esquerdo feriu e cegou;
Hórus cobriu o rosto com a mão.
Set regozijou-se com o sangue de Hórus
E sua espada ergueu!
"Morre! Filho de Osíris!"
Mas o príncipe-rei não cedeu!
Num momento de sofrimento e energia,
Hórus, como um vento que sopra do deserto,
Decepou a cabeça de Set!
Vitorioso era o Encoberto!
Faraó amado pelo povo
É Heru-sa-Aset, Príncipe e Rei!
Messias do Alto e Baixo Egito,
Amado por todos e odiado por ninguém!
Seu olho tudo vê.
Na sua face brilham a lua e sol sagrados;
Cumprido está o seu destino;
O Alto e o Baixo estão unidos e para si consagrados.
Rá, em sua barca, tudo viu.
Chegou a hora de a lua voltar
E as estrelas brilharem.
Por isso, Rá sorriu e partiu.
- Autor: Paulo de Tarshish ( Offline)
- Publicado: 30 de outubro de 2024 13:26
- Comentário do autor sobre o poema: Poema dedicado à Trindade Egípcia, Osíris, Isis e Hórus.
- Categoria: Espiritual
- Visualizações: 6
Comentários1
Lindo e cheio de sabedorias. Parabéns poeta.Boa tarde.
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