Ideias perigosas

Jose Rinaldo Pinheiro Leal


Luto diariamente para ficar bem,

Tentando seguir sem pensar em nós.

Eu sei, não é fácil caminhar sozinho,

Dói o silêncio de ouvir minha própria voz.

É ruim essa análise que o peito faz,

De achar que a vida já não vale a pena,

Enfrentando ideias que roubam a paz

Em uma mente que se torna pequena.

Minha consciência insiste no fracasso,

O medo me aperta, falta o seu abraço.

É amargo o gosto de estar perdido,

Nessa escuridão de um tempo esquecido.

Mas vou seguindo...

Vou colocar uma música para tocar,

Fazer uma faxina, o pó sacudir,

Desatar os nós que insistem em sufocar,

E deixar o ar novamente fluir.

Vou molhar as plantas, ver a vida brotar,

Sentir o carinho no meu pet, o calor...

Se as lágrimas descerem, vou deixar lavar,

Pois o pranto também cura a dor.

Deixo o rio correr para a alma limpar,

Desarmando o corte que o passado deixou.




  • Autor: Jose Rinaldo Pinheiro Leal (Offline Offline)
  • Publicado: 17 de fevereiro de 2024 14:51
  • Comentário do autor sobre o poema: corta como gilete? Às vezes, ela nasce no simples gesto de molhar uma planta ou tirar o pó de um móvel. Um registro sincero sobre o luto de um 'nós' e a coragem de reencontrar a vida que brota em uma flor.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 6


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