Luto diariamente para ficar bem,
Tentando seguir sem pensar em nós.
Eu sei, não é fácil caminhar sozinho,
Dói o silêncio de ouvir minha própria voz.
É ruim essa análise que o peito faz,
De achar que a vida já não vale a pena,
Enfrentando ideias que roubam a paz
Em uma mente que se torna pequena.
Minha consciência insiste no fracasso,
O medo me aperta, falta o seu abraço.
É amargo o gosto de estar perdido,
Nessa escuridão de um tempo esquecido.
Mas vou seguindo...
Vou colocar uma música para tocar,
Fazer uma faxina, o pó sacudir,
Desatar os nós que insistem em sufocar,
E deixar o ar novamente fluir.
Vou molhar as plantas, ver a vida brotar,
Sentir o carinho no meu pet, o calor...
Se as lágrimas descerem, vou deixar lavar,
Pois o pranto também cura a dor.
Deixo o rio correr para a alma limpar,
Desarmando o corte que o passado deixou.