Vinicius Paiva

Paulo e Vinicius

Paulo me chamou pra ir à sua casa
Disse que ia se matar
Eu, como bom amigo, fui socorrê-lo
Dei um abraço apertado
Perguntei o porquê do porre
Ele disse que queria a morte
Disse que não acreditava na sorte
Disse que o amor é um corte
Profundo, em seu lado esquerdo
Gritou que a mulher que ele amava
A mulher, desumana, destruiu sua alegria
Bateu e correu, e correu e correu
Só deixou a saudade
E a vontade de escrever essa triste poesia
Sem rima, sem nexo, com apenas um gesto
De degustar da melancolia
Procurei uma música triste
Para ajudá-lo a enfrentar as dores da vida
Disse-lhe que a vida é longa, a vida é rara
Lenine não erra, ele nunca mentiria
Ele pulsou, gritou e gritou
Disse que de nada Lenine sabia
Então troquei o CD
Por um pop clichê
Francês que passava na tv
Ele se negou, disse que queria silêncio
Disse que era doloroso demais
Compartilhar a música com mais alguém
Eu implorei, eu tentei
Mas nem João Gilberto o satisfazia
Disse que ele apenas sentia
Que não era o único que sofria
Então o deixei sozinho
Guardado num canto
Esperando o momento
De um dia voltar e me agradecer
Até que um dia, me deu uma dor no peito
Quase que um sentimento
Descobri que Paulo se matou por amor

E como ambos éramos apenas um ser
Ele também me levou
E sofrer por amor ficou para trás

  • Autor: Paivão (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 24 de Julho de 2022 13:03
  • Comentário do autor sobre o poema: Um delírio interno
  • Categoria: Triste
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