Filho de Samael

A Flor e o Sol

Nasceu a flor do deserto

Com pétalas de sonho!

E no enorme reino do nada

Sua beleza abençoada

Ela não tinha a quem mostrar.

Vinha às vezes o vento.

Mas esse ser apressado

Não dispunha de tempo

Para admirar o enfeite do solo árido.

Mas notou a criaturinha do chão

No céu um grande clarão.

Era um astro de luz e calor

Que surgia toda manhã

E parecia estar ali só para contemplar

A solitária flor.

Ela, vaidosa, ávida para se mostrar,

Punha-se elegante em sua inércia

Para encantar o astro a passear.

Era um espetáculo fascinante!

A areia branca sem fim,

O céu azul, gigante,

A florzinha de pétalas de sonho

E o sol brilhante como espectador.

Sentia-se o pequeno vegetal

A grande atriz no palco da vida!

Sua plateia solitária, o sol,

Até se virava no firmamento

Para ver melhor a artista do deserto.

Assim pensava a flor - princesinha

Que, cheia de contentamento,

Exibia-se em cores de harmonia e beleza.

Mas o sol, na verdade, era indiferente

À nossa pequena heroína.

E com seu olhar arregalado e quente

Começou a ser malvado com a pobre menina.

Ela, por sua vez, não entendia

Porque sua beleza se esvaía

E suas forças a abandonavam

Fazendo-a curvar-se um pouco a cada dia.

Já não se via mais

Como a rainha daquela vastidão de areia.

As pétalas feitas de sonho

Tornavam-se secas de morte.

Estava a flor à mercê da sorte,

Dos raios cruéis de seu carrasco.

Sem água para amenizar o calor,

Sem alimento para saciar-lhe a fome,

Caiu, então, vencida, sob o olhar impiedoso

Do astro majestoso.

Morreu a flor de pétalas de sonho,

Queimada pelos olhos de seu único observador.

E eu arriscaria dizer que ela

Por ele sentia amor.

Vestia-se bela para o distante namorado

Que, mesmo sendo sol,

Tinha o coração gelado.

E as pétalas de sonho de nossa pequenina

Transformou em morte.

Esse sol que queima sonhos

Foi alguém que passou em minha vida.

E as pétalas de sonho da indefesa flor,

Mortificadas pela indiferença,

Eram meus sonhos,

Minha ilusão de amor!



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