Marçal de Oliveira Huoya

Crepúsculo

Ainda não é tão tarde assim

Mas já sente que a vida vai lhe deixando em gotas

A cada sono e despertar difíceis e vagarosos

Cada minuto em que se dá pressa mais lhe aproxima do fim

Á visão próxima da muralha

Porém por impaciência ou curiosidade

Não lhe veste a convicção que de fato irá acontecer

Mas não com ele

A transitoriedade, a ideia de destino que lhe era vago e alheio na infância

Por prodigalidade de vida e de tempo

Era um desperdício feliz

Mas agora não,

Mais e mais o pensamento do limite e do absurdo

Tornaram-se visitantes regulares

Indesejáveis mas irreprimíveis

Esquece e lembra

Lembra e tenta esquecer com um meneio

Negaceio conveniente

Não acredita que tudo lido e vivido

Em breve não serão nada

Talvez o escrito, registro da sua passagem

Tudo um bafejo de lembrança que breve irá se evaporar

Uma névoa efêmera

Para onde se derrama esse caldo de vida?

Para onde escorre tudo que foi experimentado

Sentido e observado

Tudo que nos traz essa certeza férrea

Eu vivi?

É cedo, mas a noite já vem

Calma ainda não

Espera, foi tudo muito rápido

Ainda que fosse imortal

Quero ficar mais um pouco...

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