Noi Soul

Insônia



 

 

Meus olhos insistem em ser cachoeira

O vento ainda não a dispersou

Sou intensidade altaneira

Inescrupuloso embaraço

Sou o traço

Do riso discreto

Os dentes falhos

A janela aberta

Da imensidão.

Sou estranha às vestes alheias

Mas não sou sozinha

Eu sou multidão.

O meus olhos ainda persistem

Como jarros d’água

Infinitas fontes

A cruzar as pontes da escuridão

Eu sou a senhora

Sou a meninice

Sou a pausa e o pique

Da imperfeição.

Meus olhos reclamam por vida

Os braços não deixam enxergar

A pele tão destemperada

O fogo aterra a água e o ar.

Eu sou incredulidade

Palavra de quem argumenta

Motivos, sentenças, viagens

Ao grão da pura inocência.

Meus olhos

Estão cansados

De tanto verter um rio

A cada segundo

No seu mais profundo

Mar em desvario.

Comentários4

  • Shmuel

    Poema profundo! Revelando sinais de uma poeta em franco amadurecimento.
    Boa tarde,

    • Noi Soul

      Meu querido, gratidão por sua apreciação e palavras de incentivo. Um abraço 🙂

    • Maria dorta

      Tão jovem e detentora de um invejável talento para a Poesia. Teu poema revela engenho e arte,muita profundidade no sentir. Versos esbanjando técnica e ferrando emoções. Aplauso!

      • Noi Soul

        Ah minha querida Maria. Gratidão por sua apreciação. Um abraço apertado 🙂

      • SANTO VANDINHO

        Reflexivo e expressivo poema ! paz e bem linda poetisa ! beijussss

        • Noi Soul

          Muito obrigada, meu querido. Um abraço 🙂

        • Ednei Pereira Rodrigues

          Ficou tão íntimo da insônia que passou a chamá-la de Sônia...

          • Noi Soul

            Não é? rsss Um abraço,meu querido 🙂



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