Jessé Ojuara

Pedaços de nós dois



 

A cada partida, leva contigo um pedaço de mim. 
Deixas uma parte de ti, a cada despedida. 
Você está completamente impregnada no meu corpo, entranhada no meu espírito e gravada na minha mente.

Assim vou me renovando com pedaços de ti e tú vais se reconstruindo com pedaços de mim. Sem perder nossa essência, só um dentro do outro.

Quando desperto e não lhe encontro ao meu lado, penso que foi só um sonho. Seu cheiro, já misturado ao meu, grita que não. Sinto seu gosto na minha boca e a sua presença a cada instante, em todos os cômodos da minha casa, em mim,  na cama onde, despidos de medos, pudores e preconceitos, nos amamos loucamente e viajamos nos braços de Baco, envoltos em uma alucinante nuvem de fumaça.  Afrontando Cromos, sem barreiras, só eu e você. Cuspindo na cara dos caretas. 

Vivemos cada momento: sutil, breve e fugaz, como se fosse a última cena de uma peça, tecida pela maldade do tempo, que nos usurpou o direito de escolha. Ou quem sabe, foi só mais uma trama do destino, que sabe promover encontros e desencontros na hora e no momento certo, ou não.

As vezes me pergunto, por que não nos conhecemos antes? Na hora certa. Mas será que essa hora existe?

Não questiono mas o porquê. Só aceito que tinha que acontecer. Estava escrito Kessil e Ojuara, dois espíritos viajantes do tempo, vão viver uma paixão louca e alucinante .

Não temos tempo para planos. Só quero viver o momento, hoje, agora e só com você sonhar acordado. 

Somos livres, não temos a posse um do outro. Libertamos para prender e aprender que nada nem ninguém pode nos julgar.

Não existe amor impossível, o que existe é a incapacidade de amar. Ao se tornar real, possível, o amor começa a morrer.

O nosso seguirá assim, impossível, louco, insano, transgressor  Reinventado a cada reencontro, a cada beijo, a cada mirada, a cada gole de vinho, a cada tragada, a cada gozada.

Tudo isso entrará na lista que faremos das mil coisas a desfrutar juntos: visitar o capão, mergulhar no fundo de nós mesmos, tomar banho de mar pelados, ver o por do sol na Ribeira, cantar e dançar na chuva, ouvir boa música, ficar horas sem fazer nada, ler poesias, cozinhar juntos, amar, e amar, e amar  e amar, enquanto durar nosso estranho amor.

Vamos guardar num velho baú nossas memórias, experiências, fotos, conchinhas do mar.

Você me faz sonhar, viver, acreditar na imortalidade da alma. Você me agita, você me acalma, você é minha velha menina.

 

Comentários1

  • Claudio Reis

    Um amor essencial sim!
    Mais que um poema, um relato de um registro amoroso.
    Siga feliz poeta!
    Abraços

    • Jessé Ojuara

      Só quem viveu um amor louco e impossível ou minimamente está aberto a fazê-lo, poderá entender na essência o meu poema.

      Obrigado poeta.



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