Alexxandre Martins

APARÊNCIAS

Ele entrou no carro sorrindo, fez graça, contou piada sem graça. Tudo para não demonstrar o medo que estava sentindo. A caminho do hospital, olhando pela janela do carro, passa um filme na cabeça. Tosse com dificuldade, a máscara sufoca. Sente falta de ar, abre o vidro do carro, mesmo com o ar ligado. A sala de espera é uma tortura, um punhado de gente aflita, apreensiva, receosa, com muito medo. De repente um fio de esperança, alguém sorri e pega em sua mão e diz que vai ficar tudo bem. Mas ele lá no fundo sabe que não vai. Seu nome é anunciado, entra na sala do médico, que de praxe faz perguntas básicas e óbvias. Faz o exame, vai pra casa. Passa mal e retorna, o médico o coloca na fila de espera pra internação. Não tem vagas, não tem esperança, não tem ânimo. O olhar incrédulo, os pensamentos confusos. Lágrimas escorrem dos olhos. Depois de 2 dias, sai uma vaga. Na entrada da ambulância, é a última vez que vê a família, ali de pé. Ao chegar já foi intubado e encaminhado para UTI de onde lutou bravamente pela vida, mas não resistiu. Aos 38 anos de idade faleceu. Causa Mortis: Pneumonia.

Comentários4

  • Isollina Barboza

    Uau!
    Que surpresa no final do conto.

  • Maria dorta

    É essa a realidade para quem não respeita a si,nem aos outros e descumpre os protocolos da ciência!

  • Dr. Francisco Mello

    Gostei, poeta. Registro admonitório, importante e oportuno. Parabéns. Um quebra costelas, tchê.

  • Alexxandre Martins

    Muito obrigado!!!



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